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domingo, 19 de março de 2017

CARDÁPIO: CARNE PODRE OU PAPELÃO? Operação Carne Fraca: Propina e carne estragada abalam mercados interno e de exportação do BR

Confiança dos consumidores internos e dos importadores pode ser abalada e comprometer acordos comerciais do Brasil, além de abalar um já fragilizado mercado do boi. Do ponto de vista moral, mais um impacto na conturbada cena política nacional.Confira a entrevista de José Vicente Ferraz - Informa Economics FNP
Na manhã desta sexta-feira (17), foi deflagrada a operação Carne Fraca da Polícia Federal. Mais de mil agentes estão em seis estados brasileiros investigando corrupção e propinas entre fiscais agropecuários e empresas do agronegócio, com grandes frigoríficos no foco dessa operação.
O analista de mercado José Vicente Ferraz, da Informa Economics FNP, diz que a operação pode apurar o esquema de corrupção que atingiu o sistema de fiscalização. Ainda no início, a operação conta com prisões e condução coercitiva de vários técnicos fiscais que atuavam junto à indústria frigorífica. Situação é preocupante, pois pode ter reflexos bastante negativos tanto no consumo interno como nas exportações brasileiras.
O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango e o segundo maior de carne bovina. Portanto, este setor compõe uma parcela importante na economia do país e a reação dos clientes ainda é uma incógnita. O G1 Paraná divulgou que gravações telefônicas apontam que os frigoríficos estariam vendendo carne com data de validade vencida, em um esquema liderado por fiscais e empresários.
informações que a gente tem operação recém deflagrada, pode apurar esquema de corrupção que atingiu sistema de fiscalização. agora está sendo executada situação de prisão, condução coercitiva de vários técnicos fiscais que atuavam junto a indústria frigorífica e é uma situação preocupante pois pode ter reflexos bastante negativos tanto no consumo interno como nas exportações brasileiras.
Ferraz avalia que isso também pode refletir em um menor consumo por parte do mercado interno, o que irá gerar prejuízo não somente para as empresas, mas também para a economia do setor e do país. As ações da JBS e da BRF Foods já caíram mais de 5% nesta sexta, com investidores observando o risco iminente.

Informações de grampos telefônicos também identificam uma possível participação do atual Ministro da Justiça, Osmar Serraglio.
No Estadão:
PF diz que propina da Carne Fraca abastecia PMDB e PP

O delegado federal Maurício Moscardi Grillo afirmou nesta sexta-feira, 17, que parte do dinheiro arrecadado pelo esquema de corrupção envolvendo fiscais e maiores frigoríficos do País, descoberto pela Operação Carne Fraca, era abastecia o PMDB e o PP.
“Dentro da investigação ficava bem claro que uma parte do dinheiro da propina era, sim, revertido para partido político. Caracteristicamente, já foi falado ao longo da investigação dois partidos que ficavam claro: o PP e o PMDB”, afirmou.
Executivos do frigorífico JBS e da empresa BRF Brasil foram presos. O esquema seria liderado por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. Segundo a PF, a operação detectou em quase dois anos de investigação que as Superintendências Regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás ‘atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público’.
Diante dos fatos narrados na Operação Carne Fraca, cuja investigação começou há mais de dois anos, decidi cancelar minha licença de 10 dias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O que as apurações da Polícia Federal indicam é um crime contra a população brasileira, que merece ser punido com todo o rigor.
Neste momento, toda a atenção é necessária para separarmos o joio do trigo. Muitas ações já foram implementadas para corrigir distorções e combater a corrupção e os desvios de conduta, e novas medidas serão tomadas. Estou coordenando as ações, já determinei o afastamento imediato de todos os envolvidos e a instauração de procedimentos administrativos. Todo apoio será dado à PF nas apurações. Minha determinação é tolerância zero com atos irregulares no Mapa.

NOTA OFICIAL da CNA
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA considera lamentável a denúncia de que alguns dos principais frigoríficos do país, com o apoio de uma rede de fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, estariam envolvidos num esquema de venda ilegal de carnes ao consumidor. As investigações fazem parte da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira, 17 de março.
Como representante dos produtores rurais, a CNA defende que os fatos envolvendo frigoríficos e fiscais agropecuários sejam apurados com rigor. E que, uma vez comprovados, possam levar à punição exemplar dos envolvidos.
Os produtores rurais têm dado uma grande contribuição ao desenvolvimento nacional. Geram emprego, renda e alimentos de qualidade para a população. Portanto, não é justo que tenham a sua imagem maculada pela ação irresponsável e criminosa de alguns.
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) apoia a operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, nesta sexta-feira, 17, e reforça que a denúncia partiu do próprio Sindicato.
O Anffa Sindical entende que a operação está alinhada aos objetivos de auditores fiscais federais agropecuários no sentido de aprimorar a inspeção de produtos de origem animal no Brasil. A entidade acrescenta que as denúncias constam de processo administrativo que tramita no Mapa desde 2010.
O Anffa Sindical afirma ainda que vai continuar trabalhando para que cargos de chefia sejam ocupados por servidores públicos selecionados por meio de processos meritocráticos. Ou seja, por competência técnica, contribuindo para o fim de influências políticas.

Sobre os auditores fiscais federais agropecuários
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) é a entidade representativa dos integrantes da carreira de auditor fiscal federal agropecuário. Os profissionais são engenheiros agrônomos, farmacêuticos, químicos, médicos veterinários e zootecnistas que exercem suas funções para garantir qualidade de vida, saúde e segurança alimentar para as famílias brasileiras. Atualmente existem 2,7 mil fiscais na ativa, que atuam nas áreas de auditoria e fiscalização, desde a fabricação de insumos, como vacinas, rações, sementes, fertilizantes, agrotóxicos etc., até o produto final, como sucos, refrigerantes, bebidas alcoólicas, produtos vegetais (arroz, feijão, óleos, azeites etc.), laticínios, ovos, méis e carnes. Os profissionais também estão nos campos, nas agroindústrias, nas instituições de pesquisa, nos laboratórios nacionais agropecuários, nos supermercados, nos portos, aeroportos e postos de fronteira, no acompanhamento dos programas agropecuários e nas negociações e relações internacionais do agronegócio. Do campo à mesa, dos pastos aos portos, do agronegócio para o Brasil e para o mundo.

NOTA OFICIAL da FAEP
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), entidade que tem feito esforços no sentido de garantir a sanidade dos produtos agropecuários, repudia a ação criminosa de fiscais do Ministério da Agricultura (MAPA) e indústrias que manipulam produtos de origem agropecuária e que, felizmente, foram flagradas pela Policia Federal sexta-feira (17).
Os produtores rurais fazem grande esforço no sentido de ter uma produção que atenda as boas práticas preconizadas e a segurança alimentar, para agora ver indústrias utilizando de suas matérias-primas de forma fraudulenta. Indústrias que deveriam estar ao lado do produtor rural e do consumidor na defesa da sanidade agropecuária.
Esperamos que a justiça seja feita e que pessoas envolvidas em operações fraudulentas e corruptas sejam investigadas e punidas, para que os bons produtores, que se esforçam na produção de alimentos, não sejam julgados e condenados pelas ações de integrantes de um elo da cadeia.
Corrupção em carnes ameaça contaminar acordo entre UE e Mercosul
GENEBRA - As revelações sobre a corrupção nos certificados de carne vão afetar as negociações entre o Brasil e a União Europeia para o estabelecimento de um acordo de livre comércio até o final do ano e ameaçam até mesmo as exportações atuais. Nesta sexta-feira, a Confederação Europeia de Produtores Agrícolas indicou ao Estado que está estudando os acontecimentos no Brasil e poderá pedir que a diplomacia europeia restrinja qualquer nova abertura comercial ao Brasil nesse setor.
Uma reunião entre o Mercosul e a UE está marcada para ocorrer no final deste mês, com o debate sobre as ofertas de liberalização entre as duas partes e principalmente a situação sanitária. No ano passado, os blocos apresentaram o que poderiam abrir em termos comerciais, com o Mercosul sendo pressionado a liberalizar o setor industrial, enquanto a Europa é solicitada a reduzir tarifas para as exportações agrícolas dos países sul-americanos.

Leia a notícia na íntegra no site do Estadão.
JBS confirma busca da PF em 3 unidades, mas diz que cumpre normas regulatórias

SÃO PAULO (Reuters) - A JBS confirmou nesta sexta-feia que a operação deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma organização que pagaria propina para a liberação de mercadorias sem fiscalização incluiu três unidades produtivas da companhia, mas afirmou que adota no Brasil e no mundo rigorosos padrões de qualidade.
A PF lançou nesta sexta-feira uma operação em seis Estados e no Distrito Federal com o objetivo de desarticular organização criminosa formada por fiscais agropecuários federais e cerca de 40 empresas, entre elas as gigantes JBS e BRF, acusados de pagamento de propina para a liberação de mercadorias sem fiscalização.
De acordo com o comunicado da JBS, foram alvo de busca duas unidades que ficam no Paraná e outra em Goiás. Na unidade da Lapa (PR), a empresa informou que houve medida judicial expedida contra um médico veterinário, funcionário da companhia, cedido ao Ministério da Agricultura.
A empresa informou que não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos, bem como que sua sede não foi alvo dessa operação.
De acordo com a PF, as investigações da chamada operação Carne Fraca, a maior já realizada pelos policiais federais, apontaram que os fiscais recebiam propina para emitir certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva. Um dos exemplos de fraude era o uso de substâncias capazes de ocultar odores de carnes estragadas que foram comercializadas.
A JBS afirmou no comunicado que adota no Brasil e no mundo rigorosos padrões de qualidade e destacou que possui diversas certificações emitidas por reconhecidas entidades em todo o mundo que comprovam as boas práticas adotadas na fabricação.
"A JBS e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e à comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas", afirmou a gigante de alimentos em comunicado.
A empresa ainda afirmou que "repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos, seja na produção e/ou comercialização".
Por volta do 12:00, as ações da companhia caíam quase 8 por cento na Bovespa.
Até mesmo a merenda escolar de estudantes da rede estadual do Paraná recebeu carne adulterada investigada na Operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta (17) pela Polícia Federal.
Os estudantes comeram salsicha de peru, na prática, sem carne, com substituição por proteína de soja, fécula de mandioca e carne de frango.
Foi com esse contrato, cujas suspeitas foram encaminhadas por um servidor do Ministério da Agricultura à PF, que começou a investigação.
Ao longo de dois anos de apuração, a PF identificou carnes adulteradas, com prazo de validade vencido e maquiadas com produtos proibidos por lei, em gôndolas de supermercados.

Leia a notícia na íntegra no site da Folha de S. Paulo.
Na Exame: Frigoríficos vendiam carne vencida e frango com papelão

São Paulo – JBS e BRF, duas das cinco maiores exportadoras do país, reconhecidas como as maiores empresas de carne do mundo, exemplos de sucesso empresariais inegáveis e da pujança econômica do Brasil nas últimas décadas são, hoje, alvo da Operação Carne Fraca.
Além delas, outros frigoríficos, grandes e pequenos, como Big Frango e Peccin, aparecem na decisão.
O nome escolhido pela Polícia Federal não poderia ser mais literal. A investigação revelou que as companhias usavam em suas operações carnes podres com ácido ascórbico para disfarçar o gosto, frango com papelão, pedaços de cabeça e carnes estragadas como recheio de salsichas e linguiças, além de reembalar produtos vencidos.

Leia a notícia na íntegra no site da Exame.
Por: Carla Mendes e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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