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quinta-feira, 23 de março de 2017

JBS E BRF SOFREM PERDAS NA BOLSA DE VALORES APÓS OPERAÇÃO CARNE FRACA


Quando o assunto é a produção de carne, seja de origem bovina, suína ou de aves, o Brasil figura entre os principais produtores. No entanto, os brasileiros não se sobressaem apenas na produção, mas também na exportação e no consumo destes produtos.
Todavia, um acontecimento na última semana evidenciou a fragilidade do setor diante de um escândalo de corrupção. A Operação Carne Fraca, realizada pela Polícia Federal, trouxe instabilidade para esse setor tão importante para a economia brasileira.
A Polícia Federal deflagrou na última sexta-feira (17) a investigação para desarticular uma organização criminosa envolvendo fiscais e empresas do setor de produção de carne. A operação apontou fraudes na fiscalização sanitária, indicando pagamento de propina para liberação de mercadorias adulteradas ou sem condições de consumo.
Para os investidores que ligaram o sinal de alerta diante do escândalo, é preciso estar atento às consequências dessa operação. Um exemplo disso são os prováveis embargos e restrições vindos de países consumidores da carne brasileira, que podem causar prejuízos não só para as empresas investigadas como também podem ocasionar redução nas exportações do Brasil.
No início desta semana, Blairo Maggi, ministro da Agricultura, divulgou a suspensão das licenças de exportação de 21 plantas de frigoríficos investigadas pela Polícia Federal. Todavia, o Ministério vai permitir a venda dos produtos no Brasil. Maggi afirmou que as vendas dos frigoríficos suspensos permanecerão em regime especial de inspeção, indicando que representantes do Ministério da Agricultura vão fiscalizá-los de forma sistemática.
Diante de um caso com repercussão internacional e que envolve saúde pública, corrupção e lavagem de dinheiro, os preços das ações das duas grandes envolvidas no caso, BRF e JBS, fecharam a última sexta-feira em queda. Esse movimento demonstrou quebra de confiança do mercado em relação a empresas que mantêm práticas nocivas.
Os papéis BRFS3 fecharam o pregão da sexta-feira (17) com queda de 7,25% e abriu esta semana com desvalorização de 8,09%. Com esse recuo, as ações da BRF alcançaram o menor patamar desde 2012. A cotação dos ativos JBSS3 também caíram na sexta, chegando a 10,59% e abrindo o pregão da segunda-feira com recuo de 6,72%.
As quedas impactaram, até certo ponto, a cotação do Ibovespa. Isso porque, apesar de os ativos possuírem uma pequena proporção do principal índice da Bolsa brasileira, a repercussão da notícia no exterior fez com que os investidores estrangeiros ficassem mais cautelosos diante de novos investimentos no país.
Mesmo as empresas do setor que não foram citadas nas investigações da PF foram impactadas. Marfrig e Minerva, especialmente, sentiram no preço de suas ações os efeitos dos embargos à carne brasileira no mercado externo.
Nos últimos meses, as ações da JBS vinham se mostrando um ativo bastante volátil e sem tendência definida. A empresa já foi envolvida em outros escândalos de corrupção e agora, com mais uma investigação em andamento, torna mais difícil atrair investidores. Com isso, a perspectiva do mercado é de que haja espaço apenas para aproveitar pequenos movimentos devido à volatilidade de suas ações.
Outro impacto negativo para a JBS tem relação com o processo em andamento para a abertura de capital da JBS Foods International na Bolsa de Nova York. Há meses a dona de todos os negócios da companhia fora do Brasil aguarda a possibilidade de abrir seu capital como forma de crescer diante do mercado mundial. As expectativas em relação ao processo em andamento também ajudava a sustentar o preço das ações da empresa no Brasil.
A proposta era que a operação fosse realizada na segunda metade do mês de abril. No entanto, o futuro do processo depende de como os investidores vão reagir nos próximos dias ante as denúncias de pagamento de propina e adulteração de produtos.

Segundo Rafael Panonko, chefe da equipe de análise da Toro Radar, maior fintech de investimentos do Brasil, a BRF possuía perspectiva de longo prazo neutra, mas com a divulgação da operação da Polícia Federal, as estimativas foram modificadas para tendência de baixa no longo prazo.
“Os ativos da BRF, inclusive, já constaram nas recomendações de carteiras de longo prazo da Toro Radar. Contudo, a crise econômica instaurada no país acabou afetando os resultados da empresa, o que fez com que retirássemos o ativo da carteira em setembro do ano passado, realizando bons lucros. A decisão se mostrou bastante acertada, já que posteriormente houve queda dos preços das ações”, explica Panonko.
Diante dos acontecimentos recentes, a notícia impactou os mercados e trouxe volatilidade nos ativos no curtíssimo prazo. Segundo o analista da Toro Radar, esse panorama se apresenta como uma oportunidade para buscar boas operações de Day Trade nos ativos.
“No longo prazo, tanto a BRFS3 quanto a JBSS3, apresentam tendência de baixa. No curto e médio prazo, todavia, essas tendências podem se inverter com frequência diante da volatilidade dos papéis, oferecendo boas oportunidades de operações embasadas em tape reading e indicadores de análise técnica”, complementa Rafael Panonko.
São Paulo -SP (DINO)

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