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sábado, 20 de maio de 2017

A histeria coletiva que toma conta do Brasil. O perigo de uma insanidade sem precedentes

por Sérgio Henrique da Silva Pereira
Estamos, infelizmente, o que representa retrocesso do pouco que se conseguiu, até aqui, vivenciando uma histeria coletiva. Desde de que a CRFB de 1988 fora promulgada, principalmente quando o Estado Social atracou no Brasil, pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, todo ódio secular veio à luz.
Uma parcela da sociedade brasileira se insurgia contra as mudanças, pois os valores seculares estavam sendo "atacados" por forças "diabólicas". Feministas, LGBTs e afrodescendentes estavam ganhando forças de decisões na política brasileira graças a uma "nova" tentativa de perverter o Brasil. Qualquer assunto que destoasse do utilitarismo secular brasileiro era, e ainda é, considerado um plano para destruir os valores sagrados da família brasileira.No Youtube não é difícil encontrar vídeos e comentários pedindo os mais absurdos acontecimentos. As justificativas também são as mais paranoicas possíveis. Nas Reforma Trabalhista, os advogados trabalhistas passam a ser inimigos e oportunistas, já que incentivam os trabalhadores para processarem os empregardes — o interesse dos advogados é ganhar dinheiro. Imigrantes são considerados intrusos vorazes, principalmente se possuem doutrinas religiosas "inimigas", como a Islã. Jornalistas são considerados como 'defensores dos comunistas' ou 'defensores do capitalismo', e as perseguições começam.
As polarizações são extremistas. Ataques verbais, socos e pontapés demonstram o quanto o verniz civilizatório é fraco, como água de cal. Dentro dessa histeria coletiva, polarizada, jovens pedem 'intervenção militar já, como solução aos moldes de 1964. Alguns jornais e jornalistas acentuam os crimes praticados com arma de fogo, mas não dão a mesma entonação em outros crimes considerados 'fatalidades', como os acidentes de trânsito.
Os histéricos cobram 'justiça' pelo uso da 'vingança de sangue', mas estes mesmos histéricos violam as pequenas leis do país, como som ensurdecedor em qualquer horário. O individualismo é a marca registrada do Brasil Líquido (analogia ao Mundo Líquido de Zygmunt Bauman). Delatores, que já cumpriram suas respectivas penas, assim como os que foram condenado na Lei Ficha Limpa, de forma espetacular, surgem como verdadeiros salvadores da Pátria. O Déjà vu continua, pois a imoralidade é revestida de nova moral.
Se o Diabo ou o Marquês de Sade estivessem vivos, talvez ficariam ruborizados diante de seus atos pretéritos. Porque inventaram-se 'legalidade' e 'moralidade' revestidas de patriotismo, defesas dos valores sagrados da família. E o Brasil não é único histérico, o mundo está histérico. Ultra- nacionalismo, ultradireita, ultraesquerda, ultrarreligião. Os extremos dentro e fora do ser 'civilizado'.
Pessoas que se juntam num ideal, mas quando contrariadas, terminam por atacar o próprio grupo. A diluição é o símbolo da liquidez, pois cada qual procura, fora de si, uma 'verdade'. Num mundo globalizado, as culturas se acham 'ameaçadas' por valores 'pervertidos', 'ilógicos'. Mas na mesma medida, o reflexo do que sempre pulsou no íntimo humano: um ser em conflito consigo mesmo. Falam que 'no meu tempo tudo era mais calmo, centralizado'. Nunca houve 'calmaria' na humanidade, o que houve foi um seguir do que falam, dizem, mandam. Quem seguia, neurótico era. E para compensar o sofrimento interno, nada mais do que 'buscar' um alívio temporário. Um eterno angustiado. Na aparente calmaria, o turbilhão dentro do próprio ser. Se o bom cidadão assim agia à luz da sociedade, dentro dos lares descontava a sua ira, a sua angústia nos filhos, nos escravos, na esposa, no animal ou numa caneta que atreveu-se de 'falhar'.
Se a ignorância é bênção da calmaria, o fruto proibido do conhecimento é perturbador. Porém a calmaria não faz parte da natureza humana, não é um animal puramente instintivo. Sofre, demasiadamente, por pensar e, consequentemente, questionar. O autoflagelo representa a possibilidade de punir-se diante de forças 'estranhas' a si mesmo.
Ah! Doce ignorância que não pode existir.

Sérgio Henrique da Silva PereiraSérgio Henrique S P, Jornalista e professor
Jornalista, professor, escritor, articulista, palestrante, colunista

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